segunda-feira, 23 de agosto de 2021

PROGRAMA 01 - APRESENTAÇÃO DO PROJETO PAU-BRASIL DE EDUCAÇÃO MUSICAL ON- LINE - 2021

PROGRAMA 02 - Tópicos de EDUCAÇÃO MUSICAL, MUSICALIDADE e A IMPORTÂNCIA SOCIAL DA MÚSICA - Projeto Pau Brasil de Educação Musical on line

PROGRAMA 03 - ESTADO DA ARTE DA MUSICALIDADE - Projeto Pau Brasil de Educação MUSICAL ON LINE - 2021

PROGRAMA 04 - INTRODUÇÃO AO METODO E À HISTÓRIA DO VIOLÃO - Projeto Pau Brasil de Educação MUSICAL ON LINE - 2021

PROGRAMA 05 - INTRODUÇÃO AO VIOLÃO - PARTE 2 - Projeto Pau Brasil de Educação MUSICAL ON LINE - 2021

PROGRAMA 06 - INTRODUÇÃO AO VIOLÃO - PARTE 3 - Projeto Pau Brasil de Educação MUSICAL ON LINE - 2021

PROGRAMA 07 - HISTÓRIA DO VIOLÃO DA PRÉ HISTÓRIA A IDADE CONTEMPORÂNEA - Projeto Pau Brasil de Educação Musical On - Line

PROGRAMA 8 - AS PARTES DO VIOLÃO - PROJETO PAU BRASIL DE EDUCAÇÃO MUSICAL ON-LINE

quinta-feira, 22 de julho de 2021

RELIGIÃO E O BOLSONARISMO – A QUESTÃO DOS ARREPENDIDOS. NÃO PODERÃO SER POSSÍVEIS ALIADOS?

 Caros!

 Conversei com um amigo de longa trajetória política, e gostaria de compartilhar ideias, que talvez contribuam com o debate. São percepções que ele teve ao participar de uma das nossas manifestações.

Este amigo ponderou inicialmente dando os parabéns ao movimento dizendo que o caminho é por aí, que a rua tem um poder muito grande, destacando a importância de sermos um grupo organizado neste formato de movimento livre manifestante (com) ou sem envolvimento partidário partindo da sociedade civil organizada, e de um público mais ou menos jovem o que é de fato revolucionário.   

Teceu algumas críticas, com relação às intervenções que debatiam, por exemplo, os religiosos e seu envolvimento com bolsonarismo, observando que nós utilizamos muito um discurso de repulsão, com uma tendência até do menosprezo a estes cidadãos (obviamente por que estamos com raiva dessa gente), pois se dizem “gente de Deus” ao passo que, contraditoriamente, distorcem princípios éticos ao inclinarem-se ao movimento bolsonarista. Raiva que se agrava ao observar como, por meio de delírios, essas pessoas se contradizem distorcendo suas crenças e a dita palavra de Deus, e que, fundamentando-se em inverdades oriundas de interpretações bíblicas distorcidas, e todo tipo de provérbios, mergulham em um mar quântico de hipocrisias.

Ponderou ainda, que marcou muito para ele a forma com que muitos assuntos foram abordados, sendo que em algumas falas pareciam mais querer demarcar o lugar e a posição de um determinado território ideológico.  Por exemplo, a ideia de uma afirmação de que nós estamos aqui e somos contra a postura dos evangélicos, e repudiamos os evangélicos e as pessoas religiosas que se dizem de bem e defendem o inominável em nome de Deus, um “Deus de justiça”, do qual se pode perguntar: que justiça?

Mas ao mesmo tempo, ponderou que no dia do movimento havia conversado com uma pessoa que era desse grupo de evangélicos, e que estava lá, dizendo que tinha se arrependido por apoiar o inominável no início de seu governo, mas que estava ali justamente para colaborar e reparar certos danos de suas atitudes. Comentava também que talvez pudesse ajudar de alguma forma com que mais pessoas se arrependessem e se colocassem no caminho de uma luta contra o bolsonarismo enfadonho e essa política genocida atual.

A prosa me fez pensar  realmente que abordar o tema "religião", é algo bem delicado pois a grande maioria das pessoas que se envolvem com religião, são pessoas humildes, trabalhadoras que, por vezes, a única atividade social que têm é participar da igreja, de um grupo de jovens, fazer uma escuta fiel ouvindo o pastor e que, para muitos, talvez a palavra desses formadores de opinião (os pastores, padres, presbíteros) toma grande dimensão em suas vidas. Muito do que são e pensam essas pessoas, provém da influência da palavra dos pastores, padres ou presbíteros pois esse público muitas vezes não consegue formular um pensamento, uma argumentação. Há muita gente assim, infelizmente.

Este público é formado na grande maioria por pessoas fragilizadas psicologicamente por problemas de todo tipo e, destarte, se direcionam para o caminho da fé nas igrejas para buscar refúgio, guarida, suporte emocional e espiritual. Sabe-se também que há casos em que muitos buscam fugir do mundo do crime tentando mudar suas vidas nos caminhos religiosos, como foi o caso, por exemplo, da tal de Hello Kitty, a mulher traficante que foi morta pela polícia no Rio. Viram  aquela notícia?

Daí então uma das ponderações de nossa conversa foi que, dependendo o modo como falarmos nos eventos (ao abordar o assunto religião) poderemos afastar possíveis aliados, arrependidos e indecisos que talvez possam estar dispostos a se mobilizarem para o lado do movimento.

E sabe caros hermanos, refleti à respeito e penso que ele pode estar certo. Por que não tentarmos trazer para perto esta gente que esta ali em cima do muro, fazendo-lhes perceber por meio da retórica e o tom mais brando, talvez pensando uma abordagem conciliadora que busque aproximações com vistas a fortalecer a luta e o grupo? 

Despertado pelo diálogo, logo uma fruição artística do passado me trouxe memórias de um trecho musical do Raul Seixas, cuja letra diz:



                “Nunca se vence uma guerra lutando sozinho,  
                 Você sabe que a gente precisa entrar em contato
                 Com toda essa força contida e vive guardada
                 o eco de suas palavras não repercutem em nada!
                 É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro ,
                 evitar o aperto de mão de um possível aliado!

Então nessas oportunidades  penso que como movimento, é importante marcarmos posição sim, sendo contra determinadas posturas, conquanto, podemos pensar em como (nos discursos) pode-se propor que essas pessoas se unam a nós. Talvez partindo da seguinte indagação: “o que, ou quais argumentos podem fazer com que eles se aproximem e não se afastem ainda mais?” 


    Enfim, quero compartilhar com vocês dúvidas que surgiram a partir de uma conversa com um amigo. Por um lado, me consolo com esta frase de Orson Welles: 

"É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si." 

Por outro, tenho uma suspeita que só a abertura ao diálogo poderá fazer nosso movimento ganhar o coração das pessoas que, por continuar pensando, podem mudar de opinião.



Jair Gonçalves  
07/2021

terça-feira, 27 de abril de 2021


MATÉRIA SOBRE O PROJETO "RECITAL DE VIOLÃO TEMÁTICO: A INFLUÊNCIA DA MÚSICA LATINO AMERICANA SOBRE NOEL GUARANY" 

por Guiomar Terra Batu dos Santos. 

O jornal é o "A NOTICIA" de São Luís Gonzaga RS. 




 

Currículo da Escritora





sexta-feira, 23 de abril de 2021

NOEL GUARANY: UM PRECURSOR DO VIOLÃO MISSIONEIRO NO RIO GRANDE DO SUL

JAIR GONÇALVES – JG Music Hall Escola de Música e Lutheria – 23/04/2021.

 

O mundo acadêmico é unânime em valorizar a pesquisa, a dedicação e o esmero no campo da ciência. Em tempos de improváveis análises de mundo, principalmente, pensando o viés da sociedade e seus rumos políticos, a cegueira só se cura através do olhar da ciência, da pesquisa, da argumentação fundamentada, ou seja, daquilo que é feito sobre o manto sagrado da epistemologia científica.

            Em 2019, buscando estes aportes procurei (sobre a luz da musicologia e da pesquisa documental discográfica) compreender obra musical de Noel Guarany e, através dela, as contribuições pedagógicas trazidas para o campo do Violão Gaúcho, na tentativa de colocar o compositor como um dos precursores e pioneiros neste estilo violonístico no Rio Grande do Sul. Para tanto defendi uma monografia na UFSM, intitulada “CONTEXTOS DO VIOLÃO MISSIONEIRO A PARTIR DE TRANSCRIÇÕES MUSICAIS DE NOEL GUARANY”. A ideia principal da pesquisa foi escutar a discografia e transcrever os violões para partitura e tablatura, possibilitando análises musicais e produção de um material pedagógico acerca dessa guitarra crioula defendida pelas mãos e intuição do compositor referido.

            Partindo desse objetivo principal, percebi a importância de Noel Guarany não só como um dos principais colaboradores para o estilo do violão gaúcho, mas como o principal criador de uma ideologia artística que foi reconhecida posteriormente com Música Missioneira do Rio Grande do Sul, ou movimento da Música Missioneira como foi defendida neste território. Embora alguns folcloristas acreditem que o tema seja controverso, no território deste estado Noel Guarany foi o pioneiro na defesa da ideia de Musicalidade Missioneira, ou seja, o criador deste movimento que em seguida se reforça com a chegada de outros defensores. Daí então o surgimento de outras denominações para o movimento com a formação de um time os “Troncos Missioneiros”, que se identificam como “Noel Guarany” (o criador), Cenair Maicá, Jaime Caetano Braun e Pedro Ortaça.   

            É salutar que se perceba que os estudos que realizo buscam compreender o Violão Gaúcho pensando identificar aqueles compositores, violonistas e artistas que de alguma forma trouxeram contribuições para o instrumento por meio de sua obra musical. Destarte, ao transcrever parte da discografia de Noel Guarany, percebi que existem elementos musicais relevantes para desenvolvimento da performance violonística característica do estilo. 

Tais descobertas se devem às análises musicais que estão na pesquisa, através das quais foi possível identificar elementos idiomáticos do violão tais como técnica, composição, influências estilístico-musicais utilizadas nas composições do autor, sendo possível identificar por meio delas, as contribuições trazidas para a Musicalidade Missioneira e para o campo da performance e pedagogia musical.

Uma das minhas preocupações (como violonista e professor) sempre foram com a questão pedagógica em torno do ensino do instrumento cordófone referido.  Sempre procurei defender a ideia de que a música gaúcha carece de materiais e registros em termos de uma escrita musical oficial (partituras, tablaturas) para que essa musicalidade possa ter um alcance universal mais amplo, ou seja, adentrar academias de música, escolas, instituições sérias de ensino de música no mundo. Entretanto, aqui não se tem uma cultura da escrita musical, o que é diferente na região sudeste do país, por exemplo, ao verificar um grande número de editoração de músicas do gênero do choro por exemplo. Existem inúmeros livros, coletâneas em partitura do referido estilo, enquanto que a música gaúcha, e, principalmente o violão gaúcho tem raríssimos exemplos de material pedagógico para ser estudado.

Neste sentido, percebi que ao escrever a música de violão de Noel Guarany não só cumprimos um papel de reconhecimento ao artista, como também identificamos as contribuições e pioneirismo do compositor em questões do instrumento violão. Uma vez que a música gaúcha carece de escrita oficial, também se buscou colaborar com a divulgação desta música por meio desses registros oficiais.

 

CONTEXTUALIZANDO O VIOLÃO GAÚCHO

 É necessário fazer uma organização das ideias para o tópico em questão. Desde o início esclarecer o leitor de que o contexto do qual se refere esta pesquisa é o do “Violão Gaúcho”, ou seja, um gênero de música instrumental de violão executado no estado do Rio Grande do Sul / Brasil. Elucidar, destarte, que tal gênero possui nomenclaturas conhecidas como “Violão Campeiro” na região serrana do RS, e ainda o “Violão Pampeano” na região fronteiriça, cujo estilo, possui influências da região da pampa Argentina, tais como o chamamé, a chacarera e o tango. Além destes estilos, considerou-se neste estudo a possibilidade de existência de outra nomenclatura, o “Violão Missioneiro”, oriundo da região missioneira do RS.

 

O VIOLÃO DE NOEL GUARANY

Em todos os discos, o violão é o principal instrumento. É sabido que aprendeu tocar de modo autodidata. Tocava com a “dedeira”, cantando e se acompanhando em performances musicais solo ao violão. Viajava pela América Latina para aprender tocar, bem como, para divulgar sua música e a arte missioneira. Criou uma obra musical partindo da necessidade de revelar ao público sua identidade cultural, bem como, fazer resgates de temas históricos da região missioneira do RS. Suas influências musicais residiam no toque Atahualpa Yupanqui, Jorge Cafrune. Segundo Neidi Fabrício “ele estudava muito. Tinha épocas que amanhecia estudando. Dizia que para tocar violão tinha que ter muita dedicação. Seu grande inspirador foi sem dúvida Osvaldo Souza Cordeiro. E outros como Yupanqui”. Noel contribui com a aclimatação aqui no estado de ritmos como a Chamarrita, milonga entre outros. A maior expressividade criativa está nas introduções de violão que compunha, onde explorava inúmeras técnicas oriundas do campo performático do violão.

As principais características dessa “guitarreada” no estilo “Missioneiro” de Noel Guarany contemplam muitos elementos, tais como: 1º Arpejamento de acordes; – Técnicas de dedilhado flamenco, – Utilização de solos melódicos em 6ª; - Solos com dedilhação mista (segurando pestana e solando com os dedos 2, 3 e 4); - Utilização de Alzapua (técnica do polegar no flamenco), - Utilização de Ostinatos na primeira corda Integrando o arranjo melódico. 7º - Quiálteras inusitadas; 8° - Supressão de tempos do compasso (para ódio dos pragmáticos!)

Para melhor compreensão dos elementos recomendarei a leitura do trabalho completo que se encontra no link (PDF) CONTEXTOS DO VIOLAO MISSIONEIRO A_PARTIR DE TRANSCRICOES MUSICAIS DE NOEL GUARANY - JAIR_GONCALVES_2019.pdf | Jair Gonçalves - Academia.edu. Cujo texto já se encontra disponível para leitura.

Ademais, encerro este curto texto dizendo que Noel Guarany é o grande divisor de águas da música no Rio Grande do Sul, pois como se pesquisou, a música introspectiva só tem um caminho depois dele aqui no RS, pois instigou a escuta de uma música temática de amplos sentidos. O violão inserido na música popular gaúcha do RS, com certeza tem em Noel Guarany um dos seus grandes expoentes. É possível falar que a música hoje intitulada Missioneira deve muito ao trabalho deste compositor, quando não, a música Nativista pode ser fruto destes pensamentos por busca de identidade, história e aspectos mais profundos das questões sociais que dizem respeito ao índio, o peão, os sem vozes da sociedade.

Muitos são fãs de Noel Guarany de modo que nem compreendem a profundidade de sua obra. Até defendem princípios contrários aos que o compositor defendia, ou seja, estão do lado dos opressores do povo. Deveriam repensar seu gosto, ou melhor, seus princípios... ou mudam o gosto ou os princípios.

 Bom....

 Não é qualquer artista que desafia seu público (mesmo estando em outro plano da existência). Continuam os desafios para a compreensão de tão rica obra  no presente e nos tempos vindouros. Noel Guarany está vivo! Caminha entre nós, dedilhando sua guitarra crioula nas pulperias, nos pagos, nas paisagens deste largo campo da existência. Se manifesta no olhar triste do índio oprimido pela sociedade vil que o despreza e que, entretanto, usufrui de seus legados históricos herdados. O  Nheçu da guitarra cabocla, o saudoso Noel Guarany continua nestes peregrinos caminhos da pampa sulina sendo vertente e fonte para inspiração de tantos. É merecedor de reconhecimento eterno. Muito obrigado Noel Guarany, por nos ensinar tanto sobre nós mesmos.

Jair Gonçalves /  Prof. Mestre em Música pela UFSM

IJUÍ,  23/04/2021

sexta-feira, 16 de abril de 2021

DIGNIDADE - Sr. Banana por JAIR GONÇALVES


Musicas que tocarei no programa de sábado estarão online posteriormente.
Não perca :
Sábado 17/03,
Horario: 20 Horas -
Lançamento do Programa 3 - do PROJETO PAU - BRASIL DE EDUCAÇÃO MUSICAL ON-LINE
Tema: MUSICALIDADE: Estado da arte, Conceitos e temas da construção de sentidos através da música.
Acompanhe, se inscreva no canal e compartilhe para contribuir com a construção da cultura

HORIZONTES - (de Elaine Geissler) por JAIR GONÇALVES 2021

Musicas que tocarei no programa de sábado estarão online posteriormente. 
Não perca : 
Sábado 17/03,    
Horario:  20 Horas -
Lançamento do Programa 3 - do PROJETO PAU - BRASIL DE EDUCAÇÃO MUSICAL ON-LINE
Tema: MUSICALIDADE: Estado da arte, Conceitos e temas da construção de sentidos através da música. 
Acompanhe, se inscreva no canal e compartilhe para contribuir com a construção da cultura "no Ijuí", como tiz o alimón!!!

sábado, 8 de março de 2014

O QUE FAZ A MÚSICA NA ESCOLA?

Reflexões Sobre Música, Cotidiano, Cidadania E A Valorização Do Educador



Diante de um mundo cada vez mais complexo, em que se desenvolve um cenário bastante desigual, tanto na distribuição econômica como cultural, podemos falar que a cidadania corre certos riscos de não ser efetivada, e, muitas vezes, não tem sequer espaço no ambiente da sala de aula. Perde-se por um lado a sensibilidade, o sentimento humanista, cada vez mais em prol de uma atitude darwinista que demarcou muito, desde o passado, as relações de poder na sociedade. Ainda hoje, esta lei do “mais forte” prevalece, sendo que, entre as relações humanas não é diferente.

Neste sentido, como proposta político-sócio-formativa, são importantes as diversas cenas e cenários musicais do cotidiano, os quais, narram histórias de vida, manifestam sentimentos, expõem a realidade de pessoas excluídas, de artistas anônimos, mendigos, vendedores, músicos e artistas de rua, de inúmeras personagens de todos os cantos do planeta. Ao apresentar aos alunos, as cenas musicais colhidas no dia a dia, imprime-se uma importância significativa ao trabalho de educação musical dentro de sala de aula com as bandas de música, orquestras, grupos instrumentais, cantores e instrumentistas, pois, ao mesmo tempo, servem de ferramentas de apreciação e conscientização, trazendo o sentimento de empatia com a realidade em que todos estão inseridos.

Particularmente, quando ensino música, tenho a preocupação de formar o educando, no sentido de que seja ele um cidadão. É importante definir o conceito de “cidadão”, pois, dentro deste conceito, abrimos o diálogo, ou pelo menos a mediação de uma conversa com a realidade social, da vida em comunidade, da valorização dos contextos de vida, do entendimento das relações políticas de poder, para que possam construir a própria realidade e libertarem-se da dominação cultural, historicamente imposta pela classe dominante global. Assim, a cidadania é uma ferramenta de construção de novas realidades em diversos âmbitos. 
Filho e Neto(2001) ponderam sobre a origem e significado do conceito de cidadania em sua pesquisa sobre a evolução do conceito: “a cidadania é notoriamente um termo associado à vida em sociedade. Sua origem está ligada ao desenvolvimento das póleis gregas, entre os séculos VIII e VII a.C. Apartir de então, tornou-se referência aos estudos que enfocam a política e as próprias condições de seu exercício, tanto nas sociedades antigas quanto nas modernas. Por outro lado, as mudanças nas estruturas socioeconômicas, incidiram, igualmente, na evolução do conceito e da prática da cidadania, moldando-os de acordo com as necessidades de cada época. (FILHO e NETO, 2001, p. 1). 

Souza (1993) propõe que o único caminho para que essa cidadania seja alcançada é o da educação. Reflete que no Brasil os filhos de colonizadores portugueses iam para Lisboa estudar e voltavam senhores. Criava-se então a elite brasileira, sendo que “foi assim que se criou a casa grande e a senzala. Filho de branco, doutor. Filho de negro, escravo analfabeto”.(p.1). 
O autor não vê alternativa para a mudança da sociedade se não for a educação, de modo que ela desenvolve esse potencial de cidadania nas pessoas. “Educar, por tudo isso, é fundamental. Qualquer país que quiser existir tem de educar. Qualquer cidadão que quiser se afirmar tem de se educar. Qualquer família que quiser sobreviver tem que educar todos os seus filhos e filhas. Educar é saber viver no mundo real, é se comunicar, é saber do passado e ter como construir o futuro. Educar é possuir tudo o que a humanidade acumulou ao longo de sua história. Por isso, um país pode ser avaliado pelo modo como trata sua educação, suas escolas, professores, crianças e jovens. No Brasil, a situação é grave. Tratamos tudo muito mal. Precisamos tratar tudo muito bem. Precisamos transformar aeducação em prioridade real de todos. Precisamos construir um outro país, uma outra cultura. (SOUZA, 1993, p.1). 

Sendo assim, então, senhores políticos e sociedade em geral tratem bem os professores e a educação, de modo geral. MÃOS À OBRA!

Jair Gonçalves - 08/03/2014.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SONORIDADES SUBVERTIDAS NAS ONDAS DO VIOLÃO PERCUSSIVO - Superando a tradicional ditadura das cordas!






Hoje a temática é MÚSICA. Mas o que realmente é música? Quando surgiu? Por quê tocar, cantar, compor, escrever uma partitura, escutar? Sabemos realmente escutar? Serão nossos ouvidos pensantes?

Música, pelo que se sabe das teorias, é uma forma de arte milenar da manifestação de sentimentos humanos através dos sons, sejam eles, percutidos, dedilhados, soprados ou teclados. Em termos de composição e estética pode ser a organização e concatenação dos sons, formando, motivos, formas musicais, melodias, harmonias e ritmos, e diversos elementos internos que compõe uma obra musical. Ja pensaram nisto?
Quanto ao aspecto funcional, ou objetivos mais específicos, a Música pode contribuir com a expressão das idéias do homo sapiens. Podem ser ideias oriundas de um mundo interior obscuro prestes a vir à tona, ou até mesmo, nascido do Élan, essas fontes longínquas e expressivas do ego humano. Esse intuitivo e imaginário lugar, no qual, podemos por vezes estar imersos, como Freud afirmou, pode ser a caixa preta do subconsciente, ou então, as profundezas da alma, da memória, e de onde se pode alcançar a cosmovisão, neste caso, utilizando-se a música.

Revela-se assim, através da Aisthésis ou percepção e da Estética (ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte) a beleza ou os horrores de mundos humanos, fenômenos da vida material/espiritual e da natureza, os diversos significados intrínsecos nas imagens, sonoridades, paisagens e objetos a serem apreciados por nós, e que contém inúmeros segredos em seu entorno. Por incrível que pareça, sempre estão a nossa volta.

Sonoridades musicais são então, conhecimento sensível, que brota das sensações e sentidos, fazendo do humano objeto, o humano musicalidade, contendo uma energia diferente das demais. O ser humano, a partir daí é músico e artesão do som, que prolifera e perpetua suas idéias, ferozmente, sensualmente, vigorosamente através da arte dos sons, da arte das musas gregas, forjada durante séculos pelos meandros dos movimentos culturo-musicais das sociedades mundiais.

Os músicos? São apaixonados sim! No entanto, por vezes, são vítimas do preconceito social, dos sem senso estético, dos sem cultura e sem modéstia, dos tiranos e ditadores, e até mesmo de diretores, secretários ou presidentes.

Mas, ao mesmo tempo, interferem na realidade de tal forma, que expulsam a intrusa tristeza dos incrédulos, dos insensíveis e dos ignorantes para longe, ao simples dedilhar de cordas, ao soprar de uma bela melodia, ou então, de uma batucada perfeita.

Estes gestos e movimentos do homo sapiens musical, é então resumido em alegrias multiplicadas pelo dobro de felicidades. Pode também fazer brotar um texto como este, inspirado, digno e perseverante. Isto chamamos de arte. De inspiração.

Para onde os sons musicais querem nos levar? Onde os artistas querem chegar com sua arte e idéias? Haverá algum sentido escondido por detrás de cada acorde, melodia? Por que os ritmos insistem embalar nossos sonhos e fantasias?

Um passarinho cantou, e no seu canto me contou que só não se deixam tocar pela música, os seres de alma amarga, trols contemporâneos, de sonhos perdidos. Me explicou o passarinho, que até mesmo as cinzas insistem em dançar, em ressurgir, ao ritmo leve e suave do vento. Quanta inspiração em torno do vento!

Respeitável público, é assim que vos apresento, com esta breve introdução, um novo estilo de se tocar o violão, pois teve o artista, que se esforçar para quebrar a ditadura das cordas e fazer do tradicional e óbvio, o novo. Foi uma alquimia que culminou na inovação, buscando a ousadia no ato de tocar. E quão belo tocar. É assim que tive a honra de interpretar esta canção, que espero que todos os senhores apreciem.

O grande homem é aquele que sabe da sabedoria que é ESCUTAR, pois o simples OUVIR é apenas um ato fisiológico e que pode servir para simples necessidade de sobrevivência humana. ESCUTAR é muito mais.

É um ato consciente, é mais amplo e profundo. É tão vital quanto entender o viés das verdades secretas, o duplo sentido da realidade, ou como diriam “Floydianos”: “entender ou imaginar o que está do lado escuro da lua”. Segredos que só os ousados têm coragem de descobrir.

Assim apresento-lhes uma grande descoberta através da composição Into Your Hearth, interpretada por mim, mas feita por um grande compositor que se chama Antoine Dufour, no estilo Violão Percussivo através do seguinte link do youtube.






Jair dos Santos Gonçalves - atua como Professor, Escritor, Produtor Cultural e Musical, Pesquisador e Educador Musical, Maestro, Compositor,